Cultura e tradição marcam a 'Batalha entre Mouros e Cristãos' na Festa de São Tiago, em Mazagão
- perolapedrosa7
- 27 de jul.
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Jamile Moreira

Em um grande teatro a céu aberto, a tradicional batalha entre Mouros e Cristãos aconteceu na última sexta-feira, 25, celebrando o ponto alto da Festa de São Tiago, celebrada a 248 anos na vila histórica de Mazagão Velho. A programação promovida pela população conta com apoio do Governo do Amapá.
A encenação, iniciou na quinta-feira, 24, com a entrega dos presentes, que representam o momento em que os mouros pedem uma trégua na batalha que travavam contra os cristãos. A estratégia era selar a paz com o inimigo. Mas, na verdade, os presentes eram comidas envenenadas.
Ao todo a encenação possui sete episódios e um deles mostra que por ordem do Rei Caldeirinha (mouro), as crianças cristãs são roubadas e vendidas, para que o dinheiro arrecadado seja usado na compra de armas e munições. Neste momento, personagens mascarados interagem com a plateia e várias crianças participam do ato teatral.
O cavaleiro mouro, Wirlen Santos, falou da emoção de participar desse momento tão aguardado pelos fiéis e moradores de Mazagão.
“Eu já participo da festa de São Tiago há nove anos e pra mim é uma emoção muito grande estar participando da festa de São Tiago todos os anos”, disse o cavaleiro.
Alexandre Queiroz de Jesus, presidente do Instituto Cultural da Festa de São Tiago falou sobre a união da comunidade e poder público para a realização da festa que mantém a tradição viva.

“A Festa de São Tiago nós preparamos ela de um ano pro outro quando termina uma festa, já começamos a programar outra com nossos apoiadores, Governo do Estado do Amapá, Prefeitura Municipal de Mazagão, o Instituto e a Igreja Nossa Senhora de Assunção e a comunidade, todos envolvidos. Para nós que somos daqui do município, eu pelo menos posso falar por mim, é um motivo de muita alegria, de muita gratidão. Fazemos isso por amor mesmo, dentro da nossa comunidade”, explicou Queiroz.
As representações contam com o envio dos espiões Bobo Velho (mouro) e Atalaia (Cristão), que se apresentam como idealizadores de planos estratégicos para a batalha.

Com o desenrolar das encenações, chega a um momento que o Rei Caldeirinha, planeja o retorno da bandeira ao campo Mouro e propõe uma troca: o corpo do Atalaia pelo símbolo mouro. Como os guerreiros cristãos não devolvem a bandeira moura, a batalha recomeça e segundo contam, Deus os ajudou prolongando o dia, assim os cristãos conseguiram vencer as batalhas até aprisionar o rei. O jornalista Gabriel Penha, que este ano viveu a figura de São Jorge, descreveu como foi atuar.
“Foi um ano intenso de preparação, uma mistura de sentimentos, euforia, ansiedade, alegria, que se misturaram ao longo de toda essa preparação. Quem é mazaganense sabe que o mês de julho é o mês mais especial do ano para a gente. Eu lhe digo com certeza que eu saio daqui transformado, e acima de tudo, com a minha ancestralidade mais aflorada, com a minha ancestralidade mais forte e com a minha fé em São Tiago e São Jorge ainda mais renovada”.

Trazida da África no século 18, a Festa de São Tiago remonta à fundação da Vila de Mazagão Velho pela Coroa Portuguesa, no ano de 1770. Atualmente, a tradição movimenta a comunidade em 12 dias de programação, que inclui a parte religiosa, cultural, e atrações artísticas no balneário às margens do rio Mutuacá.




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