Amapá recebe encontro preparatório para a COP30 com presença indígena
- perolapedrosa7
- 14 de set.
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Atualizado: 14 de set.
Janete Carvalho

O estado do Amapá sediou no sábado, 13, mais um “Ciclo COParente”, encontro preparatório da COP30 promovido pelo Ministério dos Povos Indígenas. O Ciclo percorre todo país, promovendo diálogo, escuta, formação e articulação das comunidades indígenas para garantir que suas vozes sejam ouvidas e suas pautas defendidas no evento internacional.
A programação contou com a presença da ministra Sônia Guajajara e delegações indígenas do Amapá e do norte do Pará. Sônia ressaltou a importância dos encontros e a expectativa dos benefícios aos povos originários.
“A gente já vem discutindo as propostas, porque não é uma proposta que se discute nos dias prévios ao evento, é todo um processo de construção de articulação com outros ministérios, com outros países, porque se tratando de uma conferência da ONU, não é um evento do Brasil, todos os acordos e compromissos firmados são dados com todos os Estados-membros. Então a gente vem participando, construindo propostas, trazendo a importância da demarcação das terras indígenas para o enfrentamento à crise climática, assim como estamos construindo também um mecanismo que garanta o financiamento direto para povos indígenas. Nós teremos pessoas nossas diretamente na sala de negociações e assim a gente espera que essa COP tenha de fato um resultado concreto que deixe um legado para a gente implementar políticas públicas nos anos seguintes”.
Edmilson dos Santos Oliveira, coordenador do Conselho de Caciques da região do Oiapoque, expressou o se que espera do evento, principalmente, por se tratar das mudanças climáticas que vem afetando bastante as comunidade indígenas nos últimos anos.

“Nós povos indígenas da região do Oiapoque, afetados com a praga da mandioca, acabamos perdendo a nossa produção. A mandioca não é só alimentação, é cultura, é tradição, é uma série de benefícios que traz para nós, povos indígenas. Hoje a gente está vivendo a questão da exploração do petróleo na costa do Amapá e a gente como povos indígenas, também vamos cobrar nossos direitos. E a gente precisa ser ouvido, ser consultado, o nosso protocolo de consulta tem que prevalecer nesse momento para que a gente possa também entender o que é uma exploração de petróleo, como se dá todo esse processo, se é um projeto que vai trazer benefício, nós precisamos estar inseridos nesse projeto, precisamos entender como é que se dá tudo isso”.
A secretária de estado dos Povos Indígenas do Amapá, Sônia Janjacque, ressaltou que a presença do Governo do Estado e Federal reforçam o compromisso com as pautas indígenas e ambientais, contribuindo para dar legitimidade ao debate global sobre a Amazônia.
“E nesse momento, a gente enquanto governo do estado Amapá já está participando justamente para a gente falar de tudo que é política pública que o governo do estado já veio fazendo e vem fazendo, vem fortalecendo a pauta indígena a nível estadual e mostrar para o mundo que o estado Amapá é o estado mais preservado do Brasil e com isso também traz a pauta de políticas públicas para a população indígena”.
O evento iniciou com rituais de cantos, danças tradicionais e apresentações regionais dos caciques presentes. Além do estado do Amapá, os encontros serão realizados ainda, no Amazonas e Mato Grosso. A COP30, será realizada em novembro em Belém do Pará, e representa um marco histórico para a Amazônia e para o Brasil.

O evento reunirá líderes mundiais, cientistas, povos tradicionais e movimentos sociais para debater soluções concretas de enfrentamento à crise climática, valorizando os saberes locais e destacando a importância da floresta amazônica para o equilíbrio ambiental do planeta.




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