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Especial Mulheres: Gisa Brás e a educação como força e recomeço

  • 6 de mar.
  • 3 min de leitura

Pérola Pedrosa


ESPECIAL MULHERES - GISA
Gisa Brás nasceu em Maracanã, no Pará, mas foi no Amapá, onde cresceu desde a infância, que encontrou na educação sua principal ferramenta de trabalho, de construção de vida e de conquistas
Gisa Brás nasceu em Maracanã, no Pará, mas foi no Amapá, onde cresceu desde a infância, que encontrou na educação sua principal ferramenta de trabalho, de construção de vida e de conquistas

“Ser mulher significa se empoderar sempre, ser uma mãe magnífica, ser uma amiga incansável, ser uma mulher que quer o tempo todo estudar, se atualizar sempre, por favor, se atualize sempre, o mundo vive uma dinâmica incrível, então vamos nos atualizar sempre, não vamos ficar para trás nesse mundo globalizado, e ser mulher significa muito amor na vida, para que você possa passar para todos que estão ao seu redor.”

Gisa Brás nasceu em Maracanã, no estado do Pará, mas, desde pequena, cresceu no Amapá e teve o ensino como principal ferramenta de trabalho, de vida e de conquistas. Chegando aos 55 anos, Gisa Brás, profissional do magistério, graduada em Gestão, com mais de 30 anos de atuação na área da Educação do Estado, é pedagoga, artesã e carnavalesca.


Inspirada na mãe, que sempre trabalhou educando crianças, Gisa começou, ainda na pré-adolescência, a ensinar na Escola São Francisco de Assis, criada por sua mãe, e acabou se formando professora. Aos 18 anos, passou no primeiro concurso do Estado e foi dar aula na penitenciária.


“Eu dava aula de alfabetização para as crianças pequenas, e o meu irmão dava aula de matemática. E a mamãe dava aula de língua portuguesa, aula particular. E assim a gente foi crescendo. E aí, ao longo desse tempo, nós, como a gente aumentou muito nosso número de alunos que a gente tinha particular, a gente chegou a 800 alunos particulares. Só para vocês terem ideia. Eram três turnos que a gente dava aula particular. E aí nós tivemos um grande amigo, que ele chegou conosco e falou assim, não. Vocês têm que montar uma escola e aí foi aberto na escola São Francisco de Assis, os alunos da São Francisco, que hoje já são médicos, doutores, advogados.”, lembra.

De lá para cá, Gisa já trabalhou na Secretaria de Educação, em várias escolas e até no Núcleo de Medida Socioeducativa de Internação Masculina (Cesein). Hoje é diretora da Escola Mário Quirino, na zona sul de Macapá, onde se dedica a projetos e inspira outros profissionais e alunos.


Com uma trajetória brilhante na educação, Gisa Brás também é uma vitoriosa na vida. Como mulher, enfrentou machismo, preconceito e, infelizmente, violência. Foi responsável por salvar sua mãe da fúria do pai. Também sobreviveu a uma tentativa de feminicídio do ex-marido, um policial que lhe desferiu três tiros de arma de fogo. Teve que fazer tratamento fora do estado para restabelecer sua saúde.


“E no início tudo é rosas, tudo são flores, e aí as pessoas falam das hereditariedades, e aí ele começou a se tornar uma pessoa muito agressiva, a ponto de quase fazer com que eu sofresse um feminicídio. E aí eu fiquei muito mal, muito mal de saúde. Tive que fazer tratamento fora do estado Amapá, fiquei dois anos e meio fora fazendo o tratamento, e eu tenho orado pra Deus, sabe? Separamos, ele não aceitava separação, né? E aí ele me agrediu de maneira assim. Terrível, e aí a gente teve que se separar mesmo. Foi feito denúncia, foi feito tudo”.

No entanto, na época não havia leis mais duras, como existem hoje, e os homens não recebiam a devida punição. Mas Gisa sobreviveu, criou os filhos, manteve-se longe do agressor e hoje é uma defensora das mulheres. Em sua área, aconselha colegas e alunas a serem independentes, a terminarem seus estudos e a sempre se apoiarem.


“Eu falo muito da importância da educação na vida delas, né? A educação ela transforma, ela transforma a minha vida e transforma a vida de qualquer mulher. Uma mulher independente ela é totalmente diferente, né? Ela faz suas próprias escolhas, ela defende a outra, né? Eu digo muito, mulher tem que ser amiga de mulher, tem que apoiar as mulheres, tem que ver se a colega tá passando. Não é assim, às vezes você pensa que aquilo não vai acontecer com você, de repente acontece. E a gente precisa de todas.”

Gisa já foi presidente da Associação de Moradores do Boné Azul. Também faz parte da comunidade do Carnaval amapaense e, atualmente, na Escola Mário Quirino, desenvolve projetos como o “Elas Costurando Vidas, Sonhos e Esperança”, capacitando mães de alunos e mulheres da comunidade em cursos de corte e costura para confeccionar uniformes escolares a preços acessíveis aos estudantes. Hoje, também confeccionam fantasias de escolas de samba do Amapá.


Gisa, como outras mulheres, faz história na vida das pessoas. Como exemplo de trajetória e como profissional, arregaça as mangas e não deixa a peteca cair, como ela mesma diz. Nesta data, trabalha para que todas as mulheres sejam respeitadas e valorizadas.


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