Especial Mulheres: Cleane Mayara e a força das mulheres na cultura do Amapá
- 7 de mar.
- 3 min de leitura
Brenda Soares*

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é uma ocasião para valorizar trajetórias, enaltecer conquistas e reforçar a presença feminina em todos os setores da sociedade.
No Amapá, segundo o último censo demográfico, vivem 369.243 mulheres — 50,3% da população do estado — que se destacam como donas de casa, artistas, empreendedoras, artesãs e ocupantes de cargos públicos, mostrando a diversidade e o protagonismo feminino em cada esfera da vida social.
Em meio a tantas mulheres, cada uma com suas histórias, particularidades e encantos, Cleane Mayara da Costa Ramos representa aquelas que traduzem a essência da cultura amapaense. Aos 24 anos, é trancista, cantadeira, tocadora e compositora de marabaixo, além de ativista cultural, conciliando suas nuances profissionais com o lugar de mãe e acadêmica de pedagogia do Instituto Federal do Amapá (Ifap).
Nascida e criada na Comunidade Quilombo do Curiaú, a artista relembra que seus primeiros passos no meio cultural foram incentivados por seu meio familiar.
“Meu bisavô por parte de pai se chamava João da Cruz Silva, ele era o mestre sala da folia de São Joaquim no Curiaú, que é a maior festividade que acontece em agosto, que é do Padroeiro da Comunidade. E a minha bisavó, que era esposa dele, também era cantadeira de batuque, de marabaixo, e é algo que eu executo hoje, né? E da parte da minha mãe também tem essa herança cultural. O meu avô também é tocador de caixa, foi quem me ensinou a tocar caixa. E aí ele foi pegando a minha mão, e foi me ensinando a tocar caixa. Então, já com uns nove anos, eu já sabia tocar caixa, e eu ganhei a minha primeira caixa dele”.
Musicista de berço, em sua trajetória artística já participou de momentos musicais com grandes nomes femininos, como a cantora amapaense Patrícia Bastos e a cantora baiana Luedji Luna.
Como reconhecimento de seu profissionalismo, em 2026, Cleane foi convidada a desfilar na escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira, que homenageou em seu enredo o amapaense Mestre Sacaca. A artista descreve este como um dos momentos mais marcantes de sua história.
“Poder ser vista nacionalmente, não nacionalmente, como pro mundo todo, que foi na Marquês de Sapucaí, vendo ali que tá representando a tua cultura, e tá naquele espaço te remete ao quê? Tu voltar lá atrás e pensar, “pô”, o meu caminho todinho que eu estou percorrendo até aqui e tá valendo a pena de ser reconhecido como uma figura importante pra cultura e ver que toda aquela luta vinda lá de trás valeu a pena o esforço todo”.
Unindo o ambiente acadêmico ao universo de suas tradições culturais, no Ifap Cleane é monitora do projeto musical Banzeiro do Brilho de Fogo, que ensina crianças sobre instrumentos de percussão, misturados com instrumentos de harmonia, de sopro, fanfarras, saxofone e chocalho.
Hoje, além da realização pessoal em poder ocupar um lugar de destaque, para ela estar nesses espaços representa um legado a ser deixado para sua filha.
“Eu me enxergo como um espelho pro futuro, né? Até mesmo pra minha filha, poder deixar e mostrar que ali a gente não tem um espaço seleto pra gente transitar, que a gente pode estar em qualquer lugar”.
Às mulheres, Cleane deixa uma importante mensagem, para que ocupem espaços e demonstrem cada vez mais a força do trabalho feminino.
“Sempre, de alguma forma, a gente mostra a força que a mulher tem, aonde quer que ela chegue, ela sabe dominar aquele espaço ali, ela sabe dominar exatamente o que ela foi proposta fazer. E eu sempre deixo isso marcado, e falando que para você ser o que você quer, você tem que pisar firme no chão e seguir adiante, independentemente do que tenha ao seu redor e do que pode lhe impedir. Passando barreiras que a gente consegue atingir o êxito da vida”.
*Estagiária sob supervisão
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