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Ciência e tradição se unem contra a vassoura-de-bruxa da mandioca no Amapá

  • 30 de abr.
  • 2 min de leitura

Jamile Moreira


PRAGA DA MANDIOCA
No Amapá, Embrapa e indígenas combatem a vassoura-de-bruxa na mandioca
No Amapá, Embrapa e indígenas combatem a vassoura-de-bruxa na mandioca

A mandioca, base da alimentação e da identidade cultural na região Norte, está no centro de uma mobilização no Amapá que une ciência e saberes tradicionais. Uma parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e comunidades indígenas busca conter o avanço da vassoura-de-bruxa, praga que compromete plantações e preocupa produtores locais.


A iniciativa aposta na troca de conhecimentos. Pesquisadores desenvolvem estudos para identificar formas de controle da doença e preservar a produtividade, enquanto povos indígenas contribuem com práticas ancestrais de manejo da terra, observação dos ciclos naturais e estratégias de cultivo.


Cristiane Ramos de Jesus, Embrapa no Amapá
Cristiane Ramos de Jesus, Embrapa no Amapá

A chefe-geral da Embrapa no Amapá, Cristiane Ramos de Jesus, destaca que a união de esforços é fundamental para enfrentar o problema e garantir a continuidade da produção.


“Nós da Embrapa, parceria com os indígenas, estamos fazendo vários estudos, né? E nós estamos comparando com esses dois materiais que os próprios indígenas observaram que conseguiam se desenvolver mesmo com a presença da praga. Nós também estamos utilizando materiais que foram identificados por produtores aqui do Amapá, em parceria com o Rurap, que é uma uma variedade chamada jacaré. Então estamos avaliando isso nesse experimento e com isso. A gente pretende identificar a base genética que confere essas possibilidades para que esses tipos de mandioca, mesmo sendo minimamente atacados pela doença, ainda consigam produzir raízes e manter a produção de mandioca e assim essas comunidades conseguem ainda fazer sua farinha e seus produtos da mandioca”.

Segundo Cristiane, a construção conjunta permite identificar soluções mais adaptadas à realidade local. Entre as estratégias estão a seleção de manivas mais resistentes, o manejo adequado do solo e a diversificação dos plantios.


“Nós, da Embrapa, buscamos acessar esse conhecimento tradicional dos indígenas com base no protocolo dos indígenas de Oiapoque, porque os indígenas é que têm conhecimento dessa diversidade de mandioca, com esse conhecimento ancestral que eles têm. Eles conhecem e eles pesquisam ali no seu dia a dia, na prática, com a sua observação. Eles conhecem muito bem essas práticas e o nosso conhecimento científico atrelado ao conhecimento tradicional nos leva a buscar e encontrar essas soluções muito mais rapidamente”, completou a chefe-geral.

Mais do que combater a praga, a ação reforça o diálogo entre ciência e tradição como caminho para soluções sustentáveis na Amazônia. A expectativa é conter o problema e desenvolver estratégias duradouras de proteção à cultura da mandioca no estado.


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