Agricultura familiar e empreendedorismo sustentável impulsionam trajetória de sucesso de Chico da Lagoa
- há 2 dias
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Janete Carvalho

O empreendedorismo voltado para pequenos negócios tem transformado a vida de muitas famílias do campo, gerando renda, desenvolvimento local e novas oportunidades de crescimento. Com dedicação, planejamento e muito trabalho, produtores rurais ampliam a produção, fortalecem a economia e geram empregos nas comunidades. Além disso, os pequenos negócios se destacam pela proximidade com os consumidores e pela capacidade de adaptação às demandas do mercado.
O agricultor Francisco Ferreira Ramos, conhecido como Chico da Lagoa, é um exemplo de empreendedor rural sustentável. A paixão pela agricultura começou na infância, quando acompanhava os pais no cultivo da terra e aprendia o valor do trabalho no campo. O que começou com a produção de mandioca se transformou, ao longo dos anos, em uma atividade diversificada, com o cultivo de diferentes culturas.

Segundo ele, foi dessa convivência familiar que surgiu a decisão de continuar produzindo alimentos e garantindo o sustento da família por meio das feiras livres.
"A gente trabalhava mais com mandioca, farinha, tucupi e tapioca, e depois passei a mexer com horta, a plantar outros tipos de cultura aí já era hortaliça, frutas, e depois que eu casei, passei a trabalhar com a mulher, e os filhos foram crescendo e a gente passou a trabalhar juntos. Depois, passei a plantar limão, tangerina, laranja, maracujá e banana. A produção aumentou e eu comecei a distribuir na cidade, e todas as feiras eu abastecia, ai minha clientela cresceu muito, porque minha produção era boa, e eu tinha muitos produtos, e quando foi uma época eu já não tinha mais produtos para entregar porque era muita freguesia graças a Deus".

Com o aumento da produção, foi necessário contratar trabalhadores para auxiliar no plantio e na colheita. Chico destaca que os resultados alcançados ao longo dos anos permitiram investir na moradia da família e ampliar a estrutura produtiva da propriedade, sempre com foco em práticas sustentáveis.
"Depois que eu comecei a vender a minha produção, mudou a nossa vida e começamos a investir nas nossas casas que era de madeira e agora temos casa de alvenaria, e também investi na horta, comprei um tratorzinho manual e o material para trabalhar na plantação eu tenho tudo, roçadeira, irrigação, bomba e toda a minha área é irrigada porque se não tiver irrigação a gente não produz. Eu tenho gente que trabalha comigo sem ser da minha família, o trabalho deles é na parte de horta, tem que ir plantando as sementes para ter muda, tem que cuidar, limpar, fazer a adubação, eles são pais de família e eu estou dando emprego para eles, agente paga direitinho os direitos trabalhistas".
O agricultor ressalta que o acompanhamento técnico tem sido fundamental para aprimorar o manejo da produção. Segundo ele, o trabalho é realizado com alternância de culturas, adubação orgânica e irrigação, práticas que ajudam a preservar a fertilidade do solo e garantem a produtividade da terra durante todo o ano, reduzindo a necessidade do uso de produtos que possam causar impactos ambientais.
"Quando a gente tira aquela cultura, a gente já planta outra que é para não ficar na mesma área plantando só uma coisa e já melhora a terra. A gente fica sempre fazendo adubação com adubo orgânico, e a irrigação tem que ter no verão para poder manter a terra produzindo, e esse é o maior cuidado que a gente tem para não botar veneno, porque se não vai prejudicando a terra".
Com o cuidado dedicado à terra, Chico demonstra o compromisso em oferecer produtos de qualidade. A reputação construída ao longo dos anos fez com que sua produção ultrapassasse os limites da capital. Além das vendas na Feira do Produtor, em Macapá, ele passou a abastecer feiras e frutarias dos municípios de Tartarugalzinho, Amapá, Oiapoque e Afuá, no Pará. A expansão da comercialização fortalece a economia local e beneficia produtores, comerciantes e consumidores.
"De tudo um pouco eles levam, laranja, tangerina, banana, cheiro verde, couve, alface, pepino, mamão, pimentinha. Tem vezes que para o Oiapoque vai uma pick-up cheia, para o Afuá a gente manda toda semana uma faixa de 600 cheiro-verde, 100 pés de alface, 200 maços de couve e fora caixa de mamão e sacas de pepino. Por semana a gente manda 2 sacas de pimentinha que dá uma faixa de 50 kg, para o Afuá e Oiapoque. Eu me sinto muito feliz de estar alimentando muita gente, tanto na cidade como nos outros municípios, porque a gente não vive sozinho, a gente sempre depende um do outro. Uma agricultura que nem a nossa gera emprego para muita gente, essa cadeia vai gerando renda um para o outro até chegar no consumidor final".
Chico da Lagoa afirma que sente orgulho da profissão e reconhece que foi por meio da agricultura que conquistou melhores condições de vida para a família. Para ele, a atividade rural representa não apenas uma fonte de renda, mas também uma forma digna de contribuir para a alimentação da população e para o desenvolvimento da economia local.
"Eu não tenho vergonha de dizer que eu sou um agricultor porque foi a agricultura que fez eu estar onde estou, as coisas que a gente precisa a gente tem, eu me sinto muito feliz e honrado de dizer para todo mundo que eu sou um agricultor".

Aos 71 anos, Chico da Lagoa acredita no empreendedorismo verde e sustentável como caminho para transformar a produção agrícola em fonte de renda e desenvolvimento. Na propriedade onde vive com a família, localizada no km 9 da AP-440, na comunidade Lagoa de Fora, em Macapá, ele consolidou uma referência para a produção rural e para o fortalecimento da agricultura familiar na região. Com aproximadamente 1.600 metros de extensão por 1.000 metros de frente, a área reúne produção diversificada, geração de empregos e práticas sustentáveis que ajudam a impulsionar o desenvolvimento local.
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